O Lean Construction é uma filosofia de trabalho baseada no Sistema Toyota de Produção, no qual o principal objetivo é fornecer a melhor qualidade, o menor custo e o “lead time” mais curto através da eliminação de desperdícios. Para que a filosofia seja aplicável na prática, é fundamental o engajamento de todas as pessoas envolvidas no empreendimento, inclusive a alta gestão.
 A implantação desse sistema é dividida em três grandes etapas, as quais estão detalhadas abaixo.

Etapa 1 – Projeto do Sistema de Produção
O Projeto do Sistema de Produção consiste basicamente em estabelecer a organização e a logística de trabalho no ambiente de construção. Seguem abaixo algumas atividades que devem ser cumpridas nessa etapa de trabalho.
– Layout do Canteiro de Obras – O documento deve apresentar a posição dos containers (escritório, almoxarifado de materiais, vestiários, refeitório/convivência etc.), fluxo de materiais e pessoas otimizados, infraestrutura de água potável, esgoto e energia elétrica para abastecimento do canteiro e da obra, isolamento da obra dentro das instalações prediais existentes (quando aplicável), definição de áreas para posicionamento de guindastes, gruas e munks para descarga e movimentação de materiais dentro da obra, bem como o plano de rigging, quando necessário, plano de segurança patrimonial, etc.   
– Mão-de-Obra – Deve-se definir um histograma, com o estabelecimento das equipes de trabalho, garantindo a melhor alocação de recursos ao longo do tempo.
– Equipamentos e Tecnologia de Produção – Deve-se definir os equipamentos e ferramentas necessárias para a realização dos trabalhos, bem como a tecnologia de execução, logística e interface desses equipamentos dentro da obra, por exemplo, perfuratriz, martelete rompedor, máquinas de solda etc.
– Sequência de Produção – Deve-se estabelecer uma sequência lógica de trabalho de modo a garantir o melhor aproveitamento dos recursos e evitar paralizações de equipes ao longo do processo.

Etapa 2 – Planejamento e Controle da Produção
O Planejamento e Controle da Produção é também conhecido como “Last Planner SystemTM”. Seguem abaixo as atividades que devem ser executadas nessa etapa de trabalho.
– Planejamento de Longo Prazo – Definição clara dos principais “milestones” do projeto, duração e sequência de atividades. Esse plano deve ser avaliado quinzenalmente, identificando a necessidade de ajuste. Dentro dessa atividade deve-se estabelecer o Planejamento de Fases, onde são definidas as fases de execução por pacote de trabalho, estabelecendo clareza nas interfaces e entendimento comum entre os envolvidos. A performance pode ser medida quinzenalmente e o KPI é binário, ou seja, caso o plano seja mantido, o resultado está atingido e caso o plano seja revisado, o resultado não está atendido.  
– Planejamento de Médio Prazo – Definição das principais restrições para execução das atividades no período de seis semanas à frente (6 Weeks Look Ahead). Essa etapa é a principal interface entre o Planejamento de Longo Prazo e Curto Prazo e tem como principal objetivo proteger a produção e dar visibilidade para replanejamento de atividades. A performance pode ser medida semanalmente e o KPI consiste no IRR (Índice de Remoção de Restrição), ou seja, Número de Restrições Removidas/Número de Restrições Totais. É recomendável o estabelecimento de uma meta superior a 85%.
–  Planejamento de Curto Prazo – Definição das atividades de execução em nível máximo de detalhe, de modo a atribuir tarefas às equipes em nível mais operacional. As atividades devem ser desdobradas à partir do Planejamento de Fases. A performance pode ser medida semanalmente e o KPI consiste no PCC (Percentual do Plano Cumprido), ou seja, Quantidade Total de Tarefas Executadas Integralmente no Plano de Curto Prazo/ Quantidade Total de Tarefas Planejadas no Plano de Curto Prazo. É recomendável o estabelecimento de uma meta superior a 85%.
Na metodologia “Lean Construction” todos planos e resultados devem ser apresentados em quadros de gestão visual em área dedicada a esse propósito, a qual chamamos de “Big Room”. Os quadros são divididos em escalas de quinzenas, semanas ou dias, dependendo do tipo de planejamento que se pretende representar. Os “milestones”, restrições ou atividades devem ser descritos em “post-it” coloridos, de acordo com a fase pré-estabelecida, bem como os pacotes de serviços, devendo os mesmos mencionar sempre a atividade e responsável. Uma vez aferidos os KPIs, eles devem estar reportados visualmente junto com os planos e deve ser de conhecimento de todos.

Etapa 3 – Melhoria Contínua
A Melhoria Contínua é a terceira e última etapa do ciclo de “Lean Construction”. Nessa etapa, através de análise de causa raiz, é possível avaliar os erros cometidos ao longo de um ciclo e com isso propor ajustes necessários para as etapas posteriores, melhorando assim performance do projeto.
A metodologia “Lean Construction” permite um modelo de gestão mais amplo, com a participação de todos os envolvidos no processo e em todos os níveis hierárquicos, garantindo fluidez na comunicação, redução de desperdícios, transparência e engajamento das pessoas envolvidas.

 

 

Renato Rocha

Renato Rocha é Engenheiro Mecânico formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia, com pós-graduação em Engenharia Farmacêutica e MBA em Gestão Empresarial. Grande experiência (17 anos) em projetos farmacêuticos (projeto, aquisição, construção, comissionamento e start-up) liderando as equipes para todas as disciplinas (civil, acabamentos, montagem de equipamentos, tubulação, incêndio, elétrica, instrumentação, automação), atuando em projetos de gestão e EPCM. Destaque nos projetos de construção para indústrias farmacêuticas (Novo Nordisk, Eurofarma, Merck, Colorcon, Fundação Ataulpho de Paiva) e indústria alimentícia (Rousselot Gelatinas).