Implantação de Unidades de Produção

A implantação dos edifícios em um parque industrial é talvez uma das etapas mais desafiadoras do projeto de uma unidade de produção de medicamentos. Nessa fase, o controle entre o desejo do cliente, as recomendações técnicas e os limites da legislação são fundamentais. É o balanço entre expectativa, ideal e possibilidade.

Quando um cliente resolve investir na construção de uma nova unidade de produção de medicamentos é muito plausível que ele inclua entre os objetivos do projeto duas das palavras que mais participaram dos textos mais recentes sobre arquitetura de processo: Flexibilidade e Escalabilidade. Pensar na expansão da produção e dos edifícios auxiliares faz parte do exercício de Master Planning.

Também chamada de espinha de distribuição central ou espinha ‘de peixe’ o conceito consiste na adoção de um corredor de distribuição de pessoas e materiais, protegido de intempéries e muitas vezes submetidos a controles ambientais. A principal função desse corredor é interligar os edifícios de produção aos depósitos mas é comum que incluam também edifícios administrativos e auxiliares.

O arranjo ideal dos edifícios deve quando possível considerar um fluxo de materiais circular e unidirecional. Isso é possível quando a posição dos edifícios é feita de acordo com o fluxo de entrada e saída dos caminhões que abastecem a unidade de insumos e recolhem o material pronto. Esse método contribui para a organização do trânsito nas vias internas das unidades de produção e facilita o compartilhamento dessas vias com ciclistas e pedestres.

Em uma implantação ideal os edifícios devem ser orientados de forma que exista uma relação positiva entre iluminação e incidência solar. A insolação nas áreas de produção não é desejada pois tem efeito sob o rendimento do sistema de climatização mas a luz natural difusa é sempre bem vinda.

Escolha do Terreno

Terrenos muito acidentados devem ser evitados. Uma unidade de produção de medicamentos possui fluxos de materiais, pessoas e resíduos entre os prédios, sobretudo entre as áreas de produção e os depósitos. Nivelar edifícios de grandes dimensões pode ser caro e demorado. Em regiões com histórico de alagamento, serão definidos estudos hidrológicos, com o intuito de definir a Chuva-de-Projeto. O rebaixamento do lençol freático e o sistema de contenção também serão considerados. Nesse caso, não é recomendável ocupar as cotas mais baixas do terreno.

Mesmo em terrenos relativamente limpos, a presença de algumas espécies de árvores pode representar um limitador importante. Nesses casos é imprescindível o mapeamento das espécies vegetais. A implantação dos edifícios deve sempre que possível permitir a preservação das espécies mais importantes e a legislação ambiental deve ser sempre observada quando houver necessidade de movimentação de terreno e derrubada de árvores. Algumas áreas verdes simplesmente não podem ser derrubadas.

     

    Carmem Lucia de Oliveira

    Carmem é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Metodista Bennett do Rio de Janeiro (UMB). Possui 12 anos de experiência na elaboração de projetos em níveis conceitual, básico e executivo para a indústria farmacêutica (produção de vacinas e biofármacos). Trabalhou em projetos para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), Hemorio, Farmacêutica Roche, entre outros.